sábado, 31 de janeiro de 2009


Vai ai uma entrevista bem antiga, de Abril do ano retrasado (2007), mas bem legal, que da pra gente saber um pouco mais sobre a vida do nosso querido lateral-direito, Leonardo Moura, e sobre suas demais passagens por diversos clubes do Brasil e do Exterior.

• Após curtas passagens de altos e baixos por nove clubes, com ajuda de Romário para seguir carreira, lateral se firma na Gávea, chega perto de marca no time rubro-negro e projeta seleção. 
  Durante sua carreira, Leonardo Moura nunca havia se firmado por muito tempo num mesmo clube. Quase sempre, chegava a uma nova equipe, começava bem e rapidamente caía de rendimento. Então, mudava de "casa". Com isso, sua permanência máxima num time era de pouco mais de um ano. No entanto, após curtas passagens de altos e baixos por nove clubes, o lateral-direito esticou o seu "prazo de validade" e fixou residência no Flamengo.
  Com 98 partidas disputadas na equipe da Gávea, Leonardo Moura deve atingir o centésimo jogo com a camisa rubro-negra até a decisão do Campeonato Estadual do Rio. O feito é inédito na carreira do lateral, que conseguiu manter a regularidade no clube mais popular do país e agora está próximo de completar dois anos no Flamengo.
  Por sinal, a boa fase de Leonardo Moura ainda deve lhe render mais dois anos na Gávea. Recentemente, o líder do time em assistências no ano - cinco, que foram concluídas por Renato, Roni e Souza (três vezes) - ampliou seu contrato com o clube rubro-negro, que acabaria em 2008, até o fim de 2009.
  Assim, ele se despede da época em que contava com um amigo ilustre no futebol para arrumar um novo clube após não conseguir se firmar no anterior. "O Romário é meu amigo pessoal. Me levou para o Vasco e para o Fluminense. Ele me ajudou bastante", contou Leonardo Moura, que torce muito para que o "milésimo" gol do artilheiro saia logo.

"Espero que sim. Tenho um carinho muito grande por ele. Particularmente, estou torcendo para isso, independentemente do clube que sofrer o gol", disse o lateral-direito, apontado por Romário como um dos melhores jogadores da posição em atividade no Brasil atualmente.

  Aliás, a opinião de Romário é parecida com a de alguns críticos da mídia esportiva. E na Gávea, a convocação de Leonardo Moura para a seleção brasileira que disputará a Copa América, de 26 de junho a 15 de julho deste ano, na Venezuela, é tratada como uma possibilidade real. 
  Nesta entrevista exclusiva ao Pelé.Net, o lateral-direito falou sobre sua expectativa pelo centésimo jogo pelo Flamengo e por uma convocação para a seleção. Além disso, explicou por que teve curtas passagens por outros clubes, mas finalmente se firmou no Flamengo.

Pelé.Net - Como você encara a chegada a esta marca de 100 jogos pelo Flamengo?
Leonardo Moura - Para mim, é importante atingir essa marca de 100 jogos com a camisa do Flamengo. É um motivo de orgulho, ainda mais por ser pelo meu time de infância, no qual sempre sonhei em jogar. E hoje estou perto de atingir essa marca.

Pelé.Net - Se você pegar mais um jogo de suspensão no julgamento*, vai atingir a marca justamente na segunda partida das finais do Campeonato Estadual do Rio. Gostaria de completar o centésimo jogo na finalíssima?
Leonardo Moura - Espero que não. Tomara que eu seja absolvido e complete logo no primeiro mesmo. Até porque o time precisa de mim. Estou confiante que vou jogar. De qualquer forma, será duplamente especial fazer o centésimo jogo na primeira partida das finais.

Leonardo Moura será julgado na próxima semana por sua expulsão na derrota por 3 a 0 para o Vasco, pela terceira rodada da Taça Rio. Ele já cumpriu um jogo de suspensão automática, mas, se pegar outro, ficará fora da primeira partida da decisão do Campeonato Estadual do Rio, no dia 29 de abril.

Pelé.Net - Você já disputou 100 jogos com a camisa de um time alguma vez na carreira?
Leonardo Moura - Não, é a primeira vez. É um momento especial. Tomara que possa comemorar com uma vitória.

Pelé.Net - Alguns críticos diziam que você tinha "prazo de validade", porque quase sempre começava bem quando chegava num clube, mas rapidamente caía de rendimento e por isso não ficava muito tempo. Você concorda com essa visão?
Leonardo Moura - Sempre encarei essa crítica como construtiva. Mas as pessoas que antes falavam isso agora estão se rendendo. Nada melhor do que fazer um bom trabalho dentro de campo para dar a resposta.

Pelé.Net - Então, por que você nunca conseguiu ficar tanto tempo num mesmo clube?
Leonardo Moura - Os contratos sempre foram feitos da melhor maneira. Sempre busquei o lugar em que me enquadrasse melhor. 

No São Paulo, por exemplo, tinha contrato de cinco anos, mas quis ficar só um. Preferi rescindir porque não estava vivendo um bom momento. Foi quando tive a lesão mais séria da minha carreira, no púbis. Não estava me sentindo bem, então, queria ficar perto da minha família. Foi aí que surgiu a oportunidade de jogar pelo Fluminense, a convite do Romário. 

No Palmeiras, também tive uma passagem curta, porque quando disputei a temporada 2002, o Oswaldo [de Oliveira, técnico] foi para o São Paulo e me indicou para o clube, que me contratou. 

Antes, em 2001, quando voltei da Holanda no meio do ano para o Botafogo, fiquei até o fim da temporada. Já estava certo para renovar, mas aí tive uma briga com o Bebeto [de Freitas, presidente do clube alvinegro]. Ele achou que eu não deveria receber o salário que eu achava justo. Então, acabei não acertando. Foi aí que o Romário me indicou para o Vasco e fui para lá.

Leonardo Moura começou nas divisões de base do Botafogo, em 1996, e profissionalizou-se no clube em 1999. Como não foi aproveitado no time de cima, foi emprestado ao Linhares-ES. Depois, foi para a Europa, onde jogou na Bélgica e na Holanda, e voltou para o Botafogo em 2001.

Pelé.Net - E por que está há tanto tempo no Flamengo?
Leonardo Moura - Primeiro porque era um sonho jogar aqui. Até porque já tinha passado pelos outros três grandes clubes do Rio e o Flamengo é minha última casa carioca, que me deu um suporte legal, um contrato bom e a tranqüilidade de estar perto da família. Acho que tudo isso pesou. Já estou há dois anos aqui e vivo um momento especial na minha carreira.

Pelé.Net - Curiosamente, só agora, que você se firmou por um tempo maior num clube, conseguiu ganhar seus primeiros títulos na carreira, aos 28 anos. Acha que as conquistas têm relação com a longa permanência no Flamengo?
Leonardo Moura - Já tinha disputado um título estadual pelo São Paulo e outro pelo Fluminense. Acho que estava escrito para mim que tinha de conquistar dois títulos, sendo um muito importante, que foi o da Copa do Brasil, no Flamengo, meu time de infância.

A Copa do Brasil do ano passado foi o primeiro título conquistado por Leonardo Moura. Fora esse, o lateral só foi campeão da Taça Guanabara (primeiro turno do Campeonato Estadual do Rio), neste ano.

Pelé.Net - Você acredita que, atuando pelo Flamengo, fica mais fácil para chegar à seleção brasileira?
Leonardo Moura - O objetivo é esse. O Flamengo tem força para isso. Procuro fazer um bom trabalho, primeiro para ajudar o Flamengo, e, é lógico, pensando também na seleção, porque a projeção aqui é sempre muito grande.

Pelé.Net - Aliás, muitas pessoas no clube dizem que você está bem cotado para ser convocado para a seleção brasileira que disputará a Copa América...
Leonardo Moura - Espero que sim. Se eu continuar fazendo esse bom trabalho que a mídia esportiva diz, tenho chances. As pessoas estão comentando, tanto aqui no Rio quanto nos outros estados. Ouço os elogios nas rádios e leio na internet. Fico feliz. Tomara que essa oportunidade apareça.

Pelé.Net - Nesses 98 jogos que você já disputou pelo Flamengo, qual foi o momento mais difícil? E o mais feliz?
Leonardo Moura - O mais difícil foi em 2005. Aquela luta contra o rebaixamento foi uma lição que a gente tirou. Graças a Deus, não passamos mais por isso. Era ruim, porque saía na rua e o torcedor cobrava. A gente fazia tudo para ajudar, mas o resultado não vinha. Aqui no Flamengo é sempre muita pressão, tanto na vitória como na derrota. Quem joga aqui tem que lidar com essas coisas.

Pessoalmente, meu momento mais difícil foi no ano passado, quando tive uma lesão muscular na coxa. Vinha bem, estava ajudando o Flamengo e fiquei fora de alguns jogos. Já o momento mais feliz foi o título da Copa do Brasil.

Pelé.Net - Você também jogou na Bélgica, na Holanda e em Portugal. Como foi essa experiência no futebol europeu?
Leonardo Moura - A experiência é sempre válida. Na Bélgica, foi a primeira vez que saí de casa para morar longe. Foi uma experiência que valeu, fui morar num país que não conhecia a língua e tive que me adaptar, conhecer outras coisas. Depois, fui para a Holanda, que fica ali perto. Aí já foi mais fácil, já dava para dominar a língua. Em Portugal, a experiência foi muito boa. Um país que nunca achei que fosse jogar. Me deu um contrato bom e uma tranqüilidade maior na carreira.

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